Antes que escureça

Postado em 27/09/2026

Origem → espaço não mapeado | Destino → Terra
Sinal → recuperado | Integridade → verificação concluída

Às vezes, sou confrontado com lembranças de todas as oportunidades que tive e que foram perdidas. Caminhos que foram ignorados e poderiam ter levado a um destino diferente. Arrependimentos são naturais. Somos humanos. Somos falhos.

Olhar para trás e imaginar as inúmeras outras rotas possíveis é um exercício que todos já fizeram. E, quanto mais velhos ficamos, mais entroncamentos se acumulam ao longo da caminhada.

É quando o tempo começa a urgir. Os anos à frente parecem menores, em número, do que aqueles que ficaram para trás. Os pensamentos juvenis tardios começam a cobrar o peso da irresponsabilidade.

Quanto tempo foi perdido em distrações fúteis, passatempos tolos e no desânimo da desistência? E aqui falo em todos os sentidos.

Mas, apesar de toda a casca de ceticismo adquirida na tentativa de ser aceito em algum grupo, ainda guardo a lembrança de sua misericórdia. De certo modo, sempre guardei. Desde a adolescência, uma famosa escritura permanece em minha mente: “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” Talvez seja justamente nisso que resida a beleza daquela mensagem: na ideia de que, apesar de nossas falhas e de tudo aquilo que fazemos com o tempo que nos é dado, ainda existe espaço para o recomeço.

É com essa fé, ainda que imperfeita e tantas vezes vacilante, que posso entrar nesta nova estrada. Ainda que pareça tardio, talvez eu ainda possa chegar a um destino diferente. Ainda há tempo, sim. Ainda há.

É o começo do alicerce, mas o coloco sobre esta rocha. Agora, preciso construir as paredes, não necessariamente inabaláveis, porque talvez nada em nós seja, mas fortes o bastante para permanecer de pé quando vierem os próximos ventos.

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